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Parafuso sindesmal

Deixar ou retirar?

10/06/2021
10/06/2021

Durante uma reunião clínica na semana passada, alguém a seguinte pergunta: " o parafuso sindesmal, vocês costumam retirar ou deixa quebrar?". As respostas foram divergentes entre os participantes da reunião. A maioria, no entanto, respondeu que costuma retirar de rotina. A justificativa foi que na experiência prática, o parafuso quebrado, as vezes leva à dor.
Depois desse episódio, fomos na literatura procurar o que há de evidência em relação à manutenção ou à retirada desse parafuso tão utilizado nas fraturas do tornozelo. Encontramos um estudo retrospectivo publicado na Foot & Ankel Especialist em junho de 2020.

Nele os objetivos principais são:
1) Determinar determinar a incidência de quebra do parafuso intraósseo;
2) Identificar variáveis clínica e / ou radiográfica que podem predizer
quebra do parafuso intraósseo;
3) Determinar se a quebra de parafuso intraósseo é associado a taxas mais altas de remoção do implante secundária à dor.
Existe pouca ou nenhuma evidência em relação ao local de quebra do parafuso ( intraósseo ou no espaço entre a tíbia e a fíbula.
O estudo avaliou retrospectivamente 531 pacientes, no período de 2011 a 2018, que realizaram osteossíntese do tornozelo com uso do parafuso sindesmal.

Radiograficamente foram avaliados:
- A distancia entre a cabeça dos parafuso e o assoalho tibial;
- O ângulo entre os parafusos e a articulação tibiotalar.

Dos 531 paciente, 56 sofreram quebra do parafuso sindesmal porém 13 foram excluídos do estudo. Dos 43 incluídos, 25,6% a quebra ocorreu no espaço entre a tíbia e a fíbula, nos outros houve quebra intra-óssea na tíbia, na fíbula ou nos dois.

Pacientes eram liberados para carga total em uma média de 2,5 meses de pós-operatório e a quebra do parafuso foi detectada em média, nos 8,4 meses após cirurgia. Dos pacientes com quebra do parafuso intraósseo, 59,4% evoluíram com dor e remoção do parafuso quebrado contra 18,2% no grupo de quebra do parafuso no espaço tibiofibular.

Dos parâmetros radiográficos analisados, apenas a distância entre o parafuso e o assoalho tibial, influenciou significativamente na quebra do parafuso. Este quando colocado mais distante da articulação tibiotalar, menor a chance de quebrar intraósseo. De acordo com o estudo, parafusos posicionados a 20 mm da articulação ou mais, tem mais chance de quebrar no espaço do que no intraósseo.

Em resumo:
- taxa relativamente alta de quebra intraóssea e uma associação significativa na eventual
remoção de implantes devido a dor.
- posicionamento mais proximal em relação à articulação tibiotalar pode ser protetora contra
quebra de parafuso intraósseo ( mas não para quebra do parafuso no geral).
- A retirada do parafuso quebrado, não é de fácil realização e nem ausenta de riscos.

A experiência prática e a intuição do cirurgião deve ser considerada na hora da decisão de manter o parafuso ou não. Pelo o que temos observado a maioria dos ortopedistas com que temos contato costumam retira-lo antes de ocorrer a quebra. Para alguns casos, nos quais não é possível realizar a remoção, vale ter esses conceitos em na memória.

Deixe seu comentário e compartilhe sua experiência e opinião sobre esse assunto.

Referência:
DOI: 10.1177/1938640020932049


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