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Marcos Monteiro



Epônimos: heróis ou vilões?

Muito além das homenagens

27/04/2021
27/04/2021

A origem é grega: “eponym” quer dizer “nomeado após”. Os epônimos são utilizados para dar o nome de alguém ou de algum lugar a uma estrutura ou condição.

A Medicina é um campo fértil para seu surgimento, existindo mais de 20 mil epônimos descritos, boa parte deles utilizados na prática ortopédica. Ao final dos 3 anos de residência o ortopedista já não sabe mais interpretar tão bem um eletrocardiograma, mas certamente incrementou seu vocabulário.

Alguns cirurgiões fazem questão de ver seu nome estampando uma manobra, uma técnica cirúrgica, um detalhe anatômico. Outros parecem ser mais altruístas, como Helfet, que ao descrever a técnica da transferência do processo coracoide no tratamento das instabilidades gleno-umerais deu a ela o nome de seu professor: Bristow, que havia morrido 10 anos antes desta descrição.

É inegável que a velocidade de evolução da Medicina é cada vez mais crescente. Muitos estudos de 4, 5 anos atrás são quase obsoletos atualmente. E isso tem repercussão nos epônimos também. Alterações descritas há algumas décadas, onde, por exemplo, a Ressonância não era uma rotina na prática ortopédica, se mostram desatualizadas, fazendo com que a lesão caracterizada nos dias de hoje seja muito diferente daquela originalmente descrita.

Não há dúvida de que os epônimos são parte da nossa rotina ortopédica. E jamais deixarão de ser. Essa é uma forma inclusive de mantermos viva a lembrança histórica de grandes personagens de nossa especialidade. Porém é necessário cuidado, especialmente com aqueles epônimos não tão clássicos.

Estudos mostram que em alguns casos a concordância da descrição do epônimo é quase nula, mesmo entre cirurgiões ortopédicos com décadas de atuação. E isso pode se transformar em um fator de grande confusão durante a troca de informações sobre um caso, por exemplo.

Por isso, em graduações e residências, é importante que seja ensinado exatamente o significado daquela manobra ou técnica que ganha o nome de algum expoente da ortopedia, assim minimiza-se o risco de que estejamos dando o mesmo nome para duas ações completamente distintas.


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Comentários

Fernando
Depende do ponto de vista, Marcos! Pros que estão prestando prova, grandes vilões! O terror dos R3 e R4! Brincadeiras a parte, vejo muito mais como uma grande forma de mantermos vivos na lembrança, grandes nomes que revolucionaram a nossa especialidade, pensavam à frente, fora da caixa. Parabéns pela postagem! Grande abraço, ótima semana!
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27/04/2021

Marcos
Marcos
Bah...verdade. Para quem está prestes a fazer o TEOT os epônimos são verdadeiros vilões!
Mas realmente as homenagens são válidas é muito interessantes!
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28/04/2021

Lucas Seiki
Faz sentido Marcão! Eu não sei mais interpretar um eletrocardiograma mas sei de cor a classificação para fraturas unicondilares da falange proximal e seu epônimo kkkkkkkk.
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28/04/2021