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Queimadura na Remoção de Gesso.

Problema raro? - O que saber e como evitar.

03/05/2021
03/05/2021

Apesar de poder parecer rara, a incidência de queimaduras na remoção de gesso segundo literatura Norte-Americana varia de 1,3 a 7,2 queimaduras para cada 1000 imobilizações (números maiores na nossa realidade?)

O mecanismo básico da queimadura se baseia na transferência de energia térmica da serra oscilante para a pele do paciente.
Lembra-se que as queimaduras compõe 4 estágios:
Queimaduras superficiais (ou 1 grau) quando somente epiderme é acometida, normalmente sem bolhas e não deixam cicatriz.
Queimaduras Superficiais/Parciais (2 grau) que extendem-se para a derme e podem cursar com bolhas .
Queimaduras Profundas/Parciais ( 3 grau) quando pegam a derme profunda podendo causar bolhas e lesões de estruturas anexas.
Finalmente lesões de 4 grau que podem trazer risco a vida a depender de área e superfície acometida.

Ok, mas qual o peso disso?
Nos EUA onde a medicina é altamente judicializada os custos com processos relacionados ficam em torno de U$15.000, com relatos de indenização na faixa de U$125.000;
No Brasil com a tendência de aumento dos processos judiciais podemos chegar a números também importantes.

Fatores de risco :

Quanto aos fatores de situação identifica-se como fatores de risco isolados para estas lesões a sua realização por profissional sem treinamento e/ou sem experiência, quando realizado na emergência ou pronto-socorro e durante o período noturno.
93% das queimaduras ocorrem nas mão de profissionais com pouco treinamento segundo a mesma estatística.

As condições do equipamento também obviamente influenciam.
Lâminas sem dentes, deformidades, excesso de debris podem aumentar a chance de queimaduras por serra. Algumas serras mais modernas possuem sistema de sucção que pode diminuir as chances de queimadura.

Com relação a técnica, mais de 12 camadas de gesso e excesso de algodão também estão relacionados a queimaduras. As imobilizações mais relacionadas à queimadura foram as de punho e cotovelo.
Deve ser concedido período para resfriar a lâmina durante o procedimento que pode ser abreviado com imersão da mesma em água ou álcool.
A técnica preconizada envolve o corte ser realizado paralelamente ao eixo de gravidade em técnica “in-and-out” (realizando cortes mais e menos profundos)
Fazer rotação da serra, técnica utilizada por alguns, não demonstrou redução no tempo de remoção do aparelho e é desnecessária .

Queimaduras durante a colocação do aparelho pelo calor liberado na reação exotérmica podem também ocorrer e merecem um espaço à parte aqui futuramente.
Quando necessário criar calhas ou “valvar” o gesso, recomenda-se esperar no mínimo 10 minutos após a colocação para evitar queimaduras.

Já viu ou teve contato com alguma complicação desta?
Faz algo diferente?

Ref:
J AmAcadOrthop Surg 2021;29:380-385
DOI: 10.5435/JAAOS-D-20-00723


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Comentários

Joao
Ótimo!
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04/05/2021