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Daniel Hidalgo



Soft Skills no Meio Médico

A importância das habilidades interpessoais

01/06/2021
01/06/2021

Sir Willian Osler é o autor da seguinte sentença: “O bom médico trata a doença; o grande médico trata o paciente que tem a doença”.

Soft skills, termo em inglês de difícil tradução direta, mas que tem relação com as habilidades interpessoais, é algo complicado de se aprender com os livros.

Nós, médicos, temos nossas outras habilidades, as hard skills, bem estabelecidas, já que a definição deste tipo de característica é mais concreta. As hard skills têm relação com as regras e os aspectos mais técnicos, com tecnologia, além de serem tangíveis, objetivas; podem ser ensinadas mais facilmente.

Por outro lado, as habilidades interpessoais (soft skills) têm características bem diferentes. São intangíveis, mais relacionadas com as pessoas e com as experiências vividas. Tais habilidades são subjetivas, comportamentais, e igualmente importantes para uma adequada relação médico-paciente.

Um outro termo bastante conhecido e diretamente relacionado com a comunicação entre as pessoas é o rapport. A origem desta palavra é francesa e significa “trazer de volta” ou “criar uma relação”. A ideia do rapport é estabelecer uma ligação de empatia com a outra pessoa, para que não haja resistência na comunicação entre elas. As técnicas de rapport são ensinadas para que sejam aplicadas nas mais diversas profissões. Sorrir, tratar a outra pessoa pelo nome, ser positivo, paciente e buscar conexões com o outro indivíduo são algumas dicas para que haja rapport e, consequentemente, sucesso na comunicação.

E qual é a importância destas soft skills para nós, médicos?

No meu ponto de vista elas são fundamentais. Não é infrequente percebemos queixas dos pacientes relacionadas ao comportamento médico, principalmente à comunicação. Na Ortopedia, talvez pelo perfil de uma grande parte dos profissionais, isso é ainda mais nítido. É claro que o médico deve ter capacidade técnica suficiente para resolver os problemas dos pacientes, mas o resultado do tratamento não depende exclusivamente disso. A própria adesão do paciente à terapia proposta tem relação com o vínculo criado, o qual pode ser mais forte se o médico trabalhar com cuidado suas soft skills.

Além disso, é muito comum nós ouvirmos frases como “aquele médico é muito bom de consultório”, ou “consultório é uma arte”. Esse tipo de afirmação está diretamente relacionada ao comportamento do profissional e ao vínculo que ele cria com o paciente. Médicos “bons de consultório”, com certeza são ótimos comunicadores.

Confesso que, quase 13 anos após minha graduação, eu aprendi um pouco mais sobre o tema desta postagem recentemente. Chegamos em um ponto em que cada vez mais as hard skills são um tipo de conhecimento necessário, mas que não diferenciam totalmente o profissional. Inteligência emocional, empatia, comunicação, saber ouvir, colaboração e a capacidade de receber feedbacks são elementos que nós, médicos, devemos melhorar para termos sucesso.

Além disso, em um mundo onde as hard skills poderão ser substituídas por novas tecnologias, como robôs, softwares e inteligência artificial, as soft skills tornar-se-ão nosso maior diferencial.

Um grande abraço a todos!


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